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Medicina nuclear: o que você sabe sobre radiofármacos?

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Imagem: Katharina Schiffl
Imagem: Katharina Schiffl

Os radiofármacos são compostos farmacêuticos que contêm radionuclídeos, os quais emitem radiação ionizante e possuem contribuição inovadora na medicina, tanto em procedimentos diagnósticos quanto terapêuticos. No diagnóstico, esses compostos são utilizados em exames de imagem funcional, como cintilografia e tomografia por emissão de pósitrons (PET), permitindo a detecção precoce de anormalidades metabólicas e estruturais. Já no tratamento, os radiofármacos, como os emissores beta e alfa, são empregados no direcionamento seletivo de radiação para tecidos tumorais, minimizando danos às estruturas adjacentes.


Do ponto de vista farmacêutico, a manipulação desses agentes exige controle rigoroso de qualidade, abrangendo a verificação da pureza radioquímica, estabilidade, biodistribuição e especificidade do alvo. Além disso, a segurança na sua preparação, o armazenamento e a administração devem seguir as normas regulatórias estritas, considerando aspectos como blindagem contra radiação, tempo de meia-vida do radionuclídeo e descarte adequado dos resíduos radioativos. Vamos falar mais sobre isso?



Como funciona a tecnologia do radiofármaco?


Os radiofármacos terapêuticos atuam direcionando radiação ionizante diretamente para células tumorais, promovendo danos irreversíveis ao DNA por meio de quebras de fita simples e dupla, levando à apoptose, necrose ou senescência celular. A eficácia desses compostos depende da escolha do radionuclídeo adequado, do tipo de radiação emitida (partículas alfa, beta ou elétrons Auger) e da capacidade do radiofármaco de se ligar seletivamente às células-alvo.

A especificidade dos radiofármacos ocorre da sua interação com biomoléculas expressas preferencialmente em células tumorais, como receptores, antígenos ou transportadores de membrana. Essa camada molecular pode ser explorada em diferentes abordagens terapêuticas. Na radioimunoterapia, por exemplo, um anticorpo monoclonal é conjugado a um radionuclídeo emissor de radiação, permitindo o reconhecimento preciso de antígenos tumorais e a entrega localizada da dose radioterápica. Essa estratégia melhorou a relação terapêutica, aumentando a exposição dos tecidos metálicos e os efeitos colaterais sistêmicos.


Quais são os principais radiofármacos utilizados na oncologia?


Dentre os radiofármacos terapêuticos amplamente utilizados em oncologia, destacam-se diversas moléculas que combinam especificidade molecular com efeito citotóxico mediado por radiação ionizante, cada uma com um mecanismo de ação direcionado a diferentes tipos de neoplasias.

O ibritumomab tiuxetan (Zevalin®) é um anticorpo monoclonal anti-CD20 conjugado ao ítrio-90 (Y-90), indicado para o tratamento de linfomas não Hodgkin de células B. Sua ação ocorre por meio da ligação seletiva ao antígeno CD20, presente na superfície das células tumorais, promovendo a destruição por citotoxicidade mediada por anticorpos e pela emissão beta emitida pelo Y-90.
O iobenguano I-131 (Azedra®) , por sua vez, é um analógico da metaiodobenzilguanidina (MIBG) radiomarcado com iodo-131 (I-131), utilizado no tratamento de feocromocitomas e paragangliomas metastáticos. Esse radiofármaco é captado seletivamente pelas células tumorais derivadas da crista neural devido à presença de transportadores específicos, acumulando-se no tecido neoplásico e promovendo sua destruição por meio do envio de partículas beta.
No contexto dos tumores neuroendócrinos, o lutécio Lu-177-dotatato (Lutathera®) representa uma importante alternativa terapêutica, sendo um análogo da somatostatina ligado ao lutécio-177 (Lu-177). Esse radiofármaco se liga aos receptores de somatostatina tipo 2 (SSTR2), altamente expressos em tumores neuroendócrinos gastroenteropancreáticos, permitindo a liberação direcionada da radiação beta no microambiente tumoral e exposição à exposição de tecidos saudáveis.
Já no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração, o lutécio Lu-177-vipivotida tetraxetana (Pluvicto®) atua ligando-se ao antígeno de membrana específica de próstata (PSMA), uma proteína altamente expressa em células tumorais prostáticas avançadas. A radiação beta emitida pelo Lu-177 induz danos diretos ao DNA das células-alvo, resultando em morte celular e potencialmente prolongando a sobrevida de pacientes com doença avançada.
Para pacientes com metástases ósseas sintomáticas decorrentes do câncer de próstata resistente à castração, o rádio Ra-223 (Xofigo®) desempenha um papel fundamental na terapia, sendo um análogo do cálcio que se incorpora preferencialmente ao tecido ósseo. Como um emissor de partículas alfa, o Ra-223 gera quebras duplas no DNA das células metastáticas ósseas, causando destruição tumoral com alcance limitado, ou que reduz o impacto sobre células normais adjacentes.
Por fim, o iodeto de sódio I-131 é amplamente utilizado no tratamento do carcinoma diferenciado da tireoide, incluindo tumores papilíferos e foliculares. Sua coleta ocorre por meio do transportador de sódio-iodeto (NIS), presente na membrana das células tireoidianas, permitindo que o iodo-131 se concentre no tecido tumoral e emita radiação beta, promovendo a destruição seletiva das células malignas.

Quais os desafios e recomendações para o uso seguro de radiofármacos?

O uso seguro de radiofármacos na prática clínica exige a implementação de protocolos rigorosos para minimizar a exposição à radiação e garantir a eficácia terapêutica, demandando o envolvimento direto de profissionais qualificados, especialmente farmacêuticos especializados em radiofarmácia e medicina nuclear. Esses agentes apresentam riscos relacionados à radioatividade, exigindo controles específicos em todas as etapas, desde o armazenamento até o descarte, para proteger pacientes, profissionais da saúde e o meio ambiente.


O farmacêutico desempenha sua contribuição na gestão e manipulação segura dos radiofármacos, assegurando que seu armazenamento ocorra em áreas designadas e blindadas, com monitoramento contínuo da radiação. No preparo e na reconstituição desses compostos, o uso de capelas de fluxo laminar blindadas e equipamentos de proteção individual (EPIs) específicos, como aventais de chumbo e luvas plumbíferas, é indispensável para minimizar a exposição ocupacional. Além disso, a calibração rigorosa da dose, realizada por meio de câmaras de ionização ou monitores de radiação, é fundamental para garantir que a administração ocorra dentro dos parâmetros terapêuticos definidos.


Outro aspecto crítico é o monitoramento da toxicidade e dos efeitos adversos associados ao uso de radiofármacos. O farmacêutico deve acompanhar parâmetros laboratoriais, como contagem de células sanguíneas, devido ao potencial efeito mielossupressor de alguns radioisótopos, como o lutécio-177 e o iodo-131. Reações adversas imediatas, como náuseas, xerostomia ou reações de hipersensibilidade, também devem ser avaliadas e tratadas adequadamente. Além disso, é necessário um acompanhamento de longo prazo para avaliar a possível toxicidade em órgãos específicos, como tireoide, rins e medula óssea, especialmente em terapias que utilizam emissores beta ou alfa.


O descarte adequado de resíduos radioativos deve seguir normas rigorosas estabelecidas por órgãos reguladores, como a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). Resíduos sólidos e líquidos contendo radionuclídeos devem ser armazenados em áreas controladas até a completa decaimento da radiação, evitando riscos ambientais e ocupacionais.

Dessa forma, o uso seguro de radiofármacos exige um conjunto de medidas que envolvem não apenas aspectos técnicos da radiofarmácia, mas também o acompanhamento clínico dos pacientes, garantindo que a terapia seja eficaz e segura, neste caso, tanto para os indivíduos tratados quanto para os profissionais envolvidos.


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